Mordidas, uma epidemia mundial

Os acidentes causados por mordidas de cães estão se tornando uma epidemia mundial. Sabemos que epidemias podem ser sanadas e evitadas, por isso queremos que o público entenda e tome providências de como evitar (quanto as causas), diminuir e finalmente erradicar esta doença epidêmica do convívio milenar homem/cão.

Estamos nos dirigindo aos criadores, proprietários e amantes dos cães em geral e também ao público, especialmente aquele que não quer, pois não é obrigado a conviver com os cães, muito menos com os problemas que estes possam causar.

As regras para o público são basicamente muito simples:

- Jamais toque um cão desconhecido (ensine seu filho também a não tocar), sem perguntar ao dono, ou a quem estiver conduzindo, se o cão pode ser tocado. Apesar de fazerem parte de uma minoria, certos animais, mesmo sendo mansos, podem estranhar a aproximação de um desconhecido.

- Aprenda e ensine seu filho a forma correta de aproximação a um cão, mesmo se conhecido. Nunca chegue por trás, não dê tapinhas no animal. Seja sensato. Para os animais em geral, valendo isto também para o cão, o contato visual (olhos nos olhos), quase sempre é um desafio. Lembre-se disto principalmente ao se aproximar de um cão de porte médio ou grande. Jamais deixe bebês ou crianças pequenas sozinhas com o animal. Fazemos esta recomendação porque um cão poderá arranhar ou derrubar sem um motivo aparente, mas também pelo fato de que, se por acaso a criança não souber dosar a força nas brincadeiras e machucar um cão, ele poderá se defender da única forma que sabe: mordendo. Supervisionando as brincadeiras evitaremos que o cão machuque a criança e que a criança machuque o cão. Os filhotes de cães são muito frágeis e qualquer fratura nesta fase, pode deixar um cão aleijado para o resto da vida.

Quanto aos criadores e proprietários de cães que vivem nas metrópoles, estes têm uma obrigação com a sociedade. Existem leis e punições para os que não as cumprem. Uma pessoa sensata e bem educada conhece e cumpre estas obrigações. Em todo o caso é bom saber:

-          SOCIALIZE O FILHOTE o mais cedo possível,

-          MANTENHA AS VACINAS do cão em dia.

-          LEIA TUDO o que estiver ao seu alcance sobre a sua raça, sobre os cães em geral.

-          LEVE O FILHOTE ÀS AULAS DE OBEDIÊNCIA BÁSICA assim que o veterinário permitir ao filhote sair de casa.

-          EM LUGARES PÚBLICOS mantenha o cão (de qualquer tamanho) preso na guia.

-          OS ADESTRADORES PROFISSIONAIS, aos quais entregar o cão para treinamento, devem ser pessoas maiores de idade, credenciadas e recomendadas por uma entidade oficial. Sempre peça referências.

-          PENSE SEMPRE EM SEGURANÇA. Focinheiras não são agradáveis, mas sabendo que o cão precisa, não hesite em usar.

-          NÃO PERMITA QUE O CÃO FIQUE VAGANDO SOZINHO PELAS RUAS mesmo que seja conhecido pelos vizinhos e que ele esteja familiarizado com a vizinhança.

-          ESTERILIZE O CÃO (macho e fêmea) entre 6/7 meses de idade conforme a indicação do médico veterinário, seja o animal de raça ou não. ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO NÃO SÃO REPRODUTORES. Somente os cães de raça pura, e que na opinião dos criadores sérios façam parte de um programa de criação seletiva, não devem ser esterilizados.

-          NUNCA DEIXE o cão amarrado a uma árvore, na porta de lojas ou preso num carro fechado, DESACOMPANHADO.

-          APRENDA A RECONHECER os sinais que precedem a agressão!

-          A LINGUAGEM CORPORAL, é muito importante, procure aprender e se informar com comportamentalistas e cinófilos sobre esta forma de comunicação.

-          NÃO PROCURE DESCULPAR A AGRESSIVIDADE DO SEU CÃO, pois o único responsável é você!

As razões compreensíveis para a agressão se resumem em:

a)    Sofrimento físico inflingido ao cão;

b)    Invasão do território sob sua proteção;

c)     Ameaça à vida de sua família humana;

d)    Ameaça à própria vida do cão;

e)    Ameaça à ninhada (fêmeas com ninhadas podem se mostra extremamente irritáveis);

f)     Disputa de machos com a proximidade de fêmea no cio;

g)    DESVIO DE COMPORTAMENTO (este é um problema que pode ser encontrado em qualquer ser vivo, e precisa de providências imediatas de um profissional da área, a começar pelo médico veterinário);

UM CÃO CANSADO É UM CÃO BOM. Logo, ofereça bastante exercício e atividades próprias para a idade e para o estado físico do animal. Faça com que gaste sua energia natural. Deixar solto no quintal ou no jardim, não é exercitar!

O que deve ser proibido para quem tem um cão?

1. DESCONHECER A RAÇA E A ORIGEM DO FILHOTE

-          As raças têm seu padrão descrito quanto á genética como à conformação.

-          Deve-se adquirir o filhote de um criador sério recomendado por uma entidade oficial (kenel clube).

-          Se o cão de estimação não for de uma raça definida, observe seu comportamento e desenvolvimento, procure informações gerais sobre cães.

2. MANTER O CÃO PRESO EM CORRENTE - não oferecendo um mínimo de liberdade e conforto. Dizer que se não ficar preso ou acorrentado, foge, é demonstrar falta de adestramento e também que o cão não foi treinado para reconhecer seu território. O pior é que mostra também que a casa não oferece segurança na contenção do animal.

3. NÃO SOCIALIZAR O ANIMAL - Este procedimento deve ser começado a partir do momento em que o filhote abre os olhos. Na verdade é dever do dono da ninhada. Os filhotes devem conviver com o maior número de situações diferentes possíveis. Pessoas novas, barulhos, outros animais. Mais tarde na mão do dono e quando as vacinas tiverem efeito, deve ser levado à rua, para se acostumar com a vida de metrópole.

4. NÃO ADESTRAR POR ESTÍMULOS POSITIVOS - Qualquer cão, em especial os cães de porte grande e os cães de guarda.

5. MANTER O CÃO EM ISOLAMENTO - Não basta jogar água e comida, os cães precisam de convivência humana e ocupação sadia.

Por fim, mesmo tentando prever e evitar situações que possam levar a agressividade, existem os já mencionados desvios comportamentais impossíveis de prever. Estas não são regras, mas sim exceções. Os cães não sabem quem é que paga as contas. Dizer que um cão atacou o dono ou o filho do dono, é pressupor que o cão conhece e convive com este dono e não com o caseiro, empregado ou motorista da casa. O dono é quem acaricia, educa, orienta e convive com o cão.

Se a situação não permitir, não tenha um cão.

Se tiver um cão SEJA RESPONSÁVEL POR ELE.

FONTE: Kenel Clube Paulista – KCP (Por: Agnes G. Buchwald)
R Avanhandava, 133 – CEP 01306-001 – São Paulo-SP
Tel: (11) 259-0044
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