DERMATOLOGIA: ENFERMIDADES BACTERIANAS DA PELE

A pele é o maior órgão do corpo e interage de forma ímpar com outros sistemas, bem como com o meio ambiente, desempenhando importante papel na manutenção da rigidez do organismo. Dessa forma é conhecida pela maioria dos autores como o espelho da saúde animal, pois reflete os efeitos de enfermidades sistêmicas.

É comum qualquer afecção da pele terminar em infecção. O nome que a infecção da pele recebe é piodermatite ou piodermites.A classificação e a gravidade serão conforme a camada da pele alcançada.

A pele é formada por:

· Camada córnea
· Epiderme (responsável pela impermeabilização da pele, através do extrato córneo as glândulas sebáceas descarregam seu conteúdo nos folículos pilosos)
· Derme (células e fibras)
· Hipoderme (camada gordurosa)

Na pele normal existem certos mecanismos de defesa:

· Físicos

a) Manto piloso (primeira proteção)
b) Camada córnea (capa de células densas e inertes) mais a crosta sebácea que se forma sobre a superfície da camada córnea, produto das secreções e descamações.

· Químicos: (elementos sobre a superfície da pele)

a) Ácido linoleico (bactericida)
b) Substâncias hidrossolúveis ( sais inorgânicos e proteínas )
b) Elementos de imunidade (complemento, transferrina, lgs G, M, E, A, Interferronas)

· Bactérias comuns: vivem sobre a superfície da pele (na raiz do pelo) em simbiose e intercambiam fatores de crescimento. O número de bactérias é influenciado pelo pH da pele, pela salinidade, pela umidade, ácidos graxos, proteínas, etc.

Existem dois grupos de bactérias:

1. Residentes: não produzem patogenia e se multiplicam sobre a pele.

· Acinetobacter spp.
· Staphilococcus Coagulação +
· Staphilococcus Coagulação –
· Micrococcus spp.
· Streptococcus a hemolítico

2. Transitórios: são mais agressivos. Estando sobre a superfície da pele não podem se reproduzir, mas são potencialmente capazes de produzir patogenia diante de alterações da pele ( ajudam o patógeno primário a agravar a situação).

· Pseudomonas aeroginosa
· Proteus vulgaris
· E. coli
· Bacilus spp.

O único patógeno primário é Staphilococcus intermedius.

Normalmente, a pele contem uma quantidade de bactérias. Esta população aumenta em climas quentes e úmidos e diminui em climas frios e secos. Nas peles lesionadas, como no caso de seborréia, pele gordurosa, inflamações, mesmo sem haver infecção, aumenta o número de bactérias. O aumento do número de bactérias sem infecção se denomina Colonização bacteriana.
(Uma pústula na pele é uma infecção primária).

Antibióticos de primeira opção

· Eritromicina 10 mg/ Kg cada 8 h
· Lincomicina 22 mg/ Kg cada 12 h
· Clindamicina 5 a 11 mg/ Kg cada 12 h

Antibióticos usados em infecções resistentes ou em terapias prolongadas

· Cefalexina 22 mg/ Kg cada 12 h
· Amoxicilina + Ácido clavulâmico 22 mg/  Kg cada 12 h
· Sulfas potenciadas 30 mg/ Kg cada 12 h
· Rifamicina 5 a 10 mg/Kg/ dia (muito boa para piodermites profundas, mas produz resistência rapidamente)

Antibióticos usados em infecções mistas

Em animais imunodeprimidos (ex.: demodécica), apresentam-se infecções mistas, pelo que seria mais conveniente usar antibióticos de amplo espectro que ataquem G-, como Pseudomonas mais comuns.

· Enrofloxacina 2,5 a 5 mg/ Kg cada 12 h
· Norfloxacina 22 mg/ Kg cada 12 h
· Ciprofloxacina 10 a 15 mg/ Kg cada 12 h
· Amicacina 10 mg/Kg cada 12 h ( inj. )
· Gentamicina 2 mg/ Kg cada 8 h ( inj. )

Estes antibióticos podem ser combinados, por ex. Amicacina + Gentamicina.

Anti-sépticos e imunomoduladores

· Iodopovidona
· Peróxido de benzoíla
· Clorhexidina
· Autovacinas
· Levamisol 2,2 mg/ Kg cada 48 hs
· Coriovaccine (gotas) 1 gota/ Kg
· Stavaccine (ampolas) 10 ampolas, 1 cada 4 dias ( bacterinas injetaveis )

Os antisépticos são usados no tratamento externo em banhos contendo iodopovidona, peróxido de benzoíla a 2,5 % (excelente para piodermites profundas apesar do inconveniente de ser algo irritante), ou clorhexidina (excelente para piodermites superficiais menos agressivas).

As piodermites se classificam, conforme sua profundidade, em:

· Piodermites de superfície: envolve somente a camada córnea com erosões da mesma.
· Piodermites superficiais: envolvem além da camada córnea, a camada subcórnea e a porção infundibular superficial do folículo piloso.
· Piodermites profundas: além das anteriores, envolvem a profundidade do folículo piloso (foliculite) e rompe este (furunculose). A infecção pode se estender à derme (celulite) ou ao tecido adiposo (paniculite) e pode se dirigir para fora fistulisando em forma de colméia.

Piodermites de superfície

Proliferação de bactérias patógenas sem produzir infecções severas.

As formas de apresentação são:

1. Dermatite piotraumática (hot spot) (dermatite aguda úmida)

2. Intertrigo (piodermite das dobras cutâneas)

Dermatite piotraumática

É um transtorno provocado por trauma auto-induzido através de mordida, prurido ou lambedura para aliviar uma sensação de picada ou de dor.

Causas predisponentes

· Hipersensibilidade a pulgas
· Alergias em geral que causam prurido em todo o corpo
· Transtornos em glândulas para-anais
· Otites
· Corpos estranhos no pelo
· Pêlo sujo
· Desordens músculo-esqueléticas dolorosas (menos comum)

Apresentação

De um dia para outro, aparecem as lesões com os pelos aglutinados por um exsudato proteináceo pegajoso, de odor muito forte, ácido e desagradável. A pele está avermelhada, úmida pelo exsudato e as bordas são bem nítidas. Ocorrem mais no verão.
São autolimitantes, pois é devido a dor que o animal se coça.
A alopécia sempre aparece na região em torno daquela onde se produz o prurido.
À medida que secam, formam-se crostas muitas aderentes.

Tratamento

Não necessitam de antibiótico sistêmico.

1) Depilação (limpar a região)
2) Limpeza com solução antiséptica (pervinox diluido, água oxigenada)
3) Antiinflamatório local. Pode-se preparar uma salmoura fervendo uma colher de sopa de sulfato de magnésio ou de cloreto de sódio em um quarto de litro de água e aplicando-a duas vezes ao dia. Seca a lesão por ação osmótica.
4) Em forma tópica:

- Creme com antibiótico e corticóide, ou;
- Aerossol ( Terra-cortril N: antibiótico, corticoide e antimicótico)
- Prednisona oral durante 7 – 10 dias (0,5 a 1 mg/ Kg / dia )

Preventivamente, o pelo e ouvidos devem ser mantidos limpos, sem pulgas e glândulas paranais limpas.

Intertrigo

É a erosão por atrito de pele contra pele. Produz-se um estado inflamatório com pouca circulação de ar e se se mistura com algum fluido, a pela macera, enfraquece e se produz a piodermite, que , sem ser muito importante, é muito incômoda e de odor muito desagradável pela liberação de ácidos graxos voláteis.

Causas

· Atrito de pele com pele
· Umidade na região
· Presença de secreções ou excreções (lágrimas, urina, saliva)
· Defeitos anatômicos da raça: ex.: Shar Pei, Bulldog, que tem dobras cutâneas na face, produzindo-se uma piodermite na dobra facial. No Cocker, com lábios pendentes, piodermite da dobra labial.Em cadelas obesas, entre as linhas mamárias, piodermite da dobra cutânea e piodermites perivulvares. No Bulldog com cauda muito curta, piodermite da cauda.

Tratamento

Normalmente não são requeridos antibióticos.
O tratamento médico é somente paliativo. Utiliza-se um xampu com peróxido de benzoíla a 2,5% e aplicação de gel com peróxido de benzoíla a 5%.
Em alguns casos, o tratamento definitivo é a cirurgia da dobra. Em outros casos, a redução de peso do animal é a solução.
Em certos casos de fêmeas castradas que engordam e nas quais ocorre uma atrofia da vulva, as vezes com incontinência urinaria, donde se produz uma piodermite perivulvar, pode-se tentar um tratamento com estrógenos e controlar a incontinência provocada pela castração. (Os estrógenos fazem com que a vulva hipertrofie) .
Usa-se ECP injetavel, 0,25 – 0,5 cc SC cada 60 dias.

Piodermites superficiais

As apresentações que vamos ver são:

1. Impetigo
2. Piodermite mucocutânea
3. Foliculite bacteriana superficial
4. Dermatofilose (ocorre em equinos por uma levedura, em pequenos animais quase não se vê).

Impetigo

Piodermite clássica em filhotes de cães até a puberdade.

Causas predisponentes

· Parasitoses e viroses
· Ambientes sujos
· Enfermidades imunomediadas
· Desnutrição

Características

· Grânulos ou pústulas que se rompem com facilidade e deixam crostas
· Áreas de pouco pêlo (axilas, virilha)
· Não dolorosas
· Não pruriginosas
· Não envolvem o folículo piloso
· São sub-córneas
· Só se apresentam em animais adultos devido a um como causa secundária de animais  que padecem de hipotireoidismo, Síndrome de Cushing ou diabetes.
· As pústulas grandes, fracas, que se rompem com facilidade, podem coalecer.
· As vezes, filhotes de gato, por cuidados excessivos da mãe ( lambidas ) podem apresentar lesões de impetigo no pescoço e na face ( microorganismo mais comum nestes casos é Pasteurella)

Tratamento

1) Correção do problema de base
2) Antibiótico: de primeira opção, por ex. Lincomicina, durante 2 – 3 semanas.
3) Banhos diários com xampu com clorhexidina (para piodermites superficiais )
4) Em animais velhos, determinar se não há hipotireoidismo, Cushing ou diabetes.

Piodermite mucocutânea

Não é uma piodermite muito habitual
Ocorrem ao redor da boca, olhos, anus.
No Cão Pastor Alemão inicia na comissura labial e se estende ao redor da boca.

Diagnóstico diferencial

· Enfermidades autoimunes
· Carência de Zinco

Tratamento

Antibióticos sistêmicos: Eritromicina, Lincomicina durante 21 dias
Creme com antibióticos (Mupirocina = Bactroban) aplicar em toda a região da boca

Foliculite bacteriana superficial

Representa 90% dos casos de piodermites caninas.
É a infecção da porção superficial do folículo piloso por S. Intermedius.

Causas predisponentes

· Pelo sujo
· Seborréia (gordura da pele )
· Ectoparasitos ( Sarnas, pulgas)
· Fatores hormonais (hipotireoidismo, Cushing)
· Irritantes locais
· Alergias

Todos estes fatores podem provocar uma alteração da pele e predispor à infecção e a mais frequente é a foliculite.

Apresentação

A lesão começa com uma pápula que passa a pústula e que deixa uma área crostosa ao redor e uma alopecia e hiperpigmentação central. As lesões se expandem em forma de colarete ou de olho de boi.

Em animais de pelo curto, a foliculite se apresenta sob forma de pequenas elevações similares a picadas de mosquito. Raspando a lesão, pode-se remover a crosta e resulta uma alopecia.

A medida que as lesões se estendem, o pêlo toma aspecto apolilado. (As áreas alopécicas se estendem em forma de mancha de azeite ).

Em lesões antigas predomina a hiperpigmentação

Em animais de pelo longo, ocorrem descamação, crostas e alopecia.

Podem ser ou não pruriginosas.

Tratamento

Se um paciente com foliculite se coça, tratar a mesma e verificar o que ocorre depois com o prurido.

· Antibióticos: Lincomicina ou Eritromicina durante 3 semanas
· Banhos diários ou a cada dois dias com clorhexidina

Após isto, podem ocorrer duas coisas:

1) O animal não tem mais lesões mas continua se coçando. Então pode ser:

a) Alergia de base
b) Pulgas, piolhos, outros ectoparasitas.
c) Alguma enfermidade pruriginosa

2) O animal não tem mais lesões e o prurido desapareceu. Então era um quadro de base não pruriginosa e o prurido se devia à infecção. Este quadro corresponde a:

a) Seborréia por causas hormonais, nutricionais, idiopáticas, carência de lipídios na dieta.
b) Hipersensibilidade bacteriana. Alergia ao S. Intermedius (reação de tipo II). Neste caso pode-se usar vacinas ( Tavaccine, 1 ampola cada 4 dias SC) ou gotas ( Coriovaccine, 1 gota/Kg dia ).

Ambos podem ser combinados com antibióticos.

Se a foliculite for sem prurido:

· Antibióticos
· Banhos

Se as lesões forem curadas e não houver prurido, tratava-se de seborréia de causas hormonais, nutricionais, idiopáticas ou carência de lipídios.
(Não se sabe porque a seborréia, em alguns casos produz prurido e em outros não )

Piodermites profundas

Atingem camadas mais profundas da pele.

São prolongamentos de piodermites superficiais que se estendem em profundidade por mau manejo, por não ser bem determinada a causa de base, por combinar antibióticos com corticoides ou, se o tratamento foi realizado corretamente, pode haver causas subjacentes mais importantes para que se chegue a uma piodermite profunda.

Foliculite profunda, furunculose e celulite.

A origem de todo o complexo é sempre a foliculite e esta pode levar à furunculoses e à celulite.
Os agentes etiológicos são, mais comumente, S. Intermedius, dermatófitos e Demodex Canis.

Causas predisponentes

· Demodécica: sempre fazer raspagens cutâneas, não importa a idade do animal.
· Dermatofitose generalizada
· Anormalidades endócrinas: hipotereoidismo, Cushing, hormônios sexuais.
· Seborréia crônica
· Imunossupressão (muito comum)
· Reação adversa a medicamentos (Ex. Cefalexina )

Apresentação

Manifesta-se com pústulas foliculares que se rompem facilmente e deixam crostas, podendo haver trajetos fistulosos com conteúdo purulento que sai quando se aperta a lesão.
Os animais podem se lamber, aparecendo úlceras.
A pele se debilita e toma uma cor escura, enegrecida.
Durante a evolução, devido à debilitação da pele, podem-se produzir úlceras espontâneas em forma de zig-zag e, sob leve pressão, há supuração.
Tem um  odor ácido muito desagradavel.
Em gatos, há fatores predisponentes como as úlceras por brigas ( causa muito habitual ) e enfermidades que afetam o sistema imunológico.
O patógeno primário é S. Intermedius, mas, muitas vezes, em casos crônicos, podem aparecer outros, pelo que se deve fazer uma cultura para detectar bactérias e fungos ( geralmente aparece Pseudomonas ).( No antibiograma deve ser escolhido o antibiótico ao qual o S. Intermedius seja sensivel, uma vez que, controlando este, é muito provavel que se resolva a piodermite.


Diagnóstico

· Imprint (citologia): para verificar rapidamente a gravidade da lesão, através da quantidade de bactérias.
· Raspagem: para descartar demodécica.
· Biópsia: pode revelar patologias de base.
· Exames de sangue para determinar o estado imunológico. Um animal com sistema imunológico normal responde a uma piodermite com uma contagem de 15000/cc de glóbulos brancos e de mais de 1000/cc de linfócitos. Se os valores forem inferiores estamos diante de um animal imunodeprimido.

Tratamento

· Antibióticos: Cefalexina durante 1,5 a 3 meses. Usa-se a Cefalexina por ser bactericida, muito bem tolerada e com pouca resistência (por isto deve-se reservá-la para piodermites profundas).
(Por exemplo, na demodécica interdigital do adulto, no Pastor Inglês, se muito rebelde, pode-se combinar Cefalexina + gentamicina injetavel).

· Banhos: com Peróxido de Benzoíla ou com etil-lactato. Recomenda-se cortar o pelo para que os banhos sejam mais eficazes.

Foliculite profunda, forunculose piotraumática

Causa predisponente

Dermatite aguda úmida.

Há raças como o Siberiano, o Labrador, o São Bernardo, que, a partir de uma alopecia, chegam a uma piodermite profunda.

Tratamento

· Não aplicar corticóides
· Antibiótico por 6 semanas como mínimo.
· Banhos diarios com Peróxido de Benzoíla
· Aplicação de creme com mupirocina.

Foliculite profunda, forunculose nasal

Localiza-se no septo nasal, em cães de focinho longo, raças dolicocéfalas.
É uma infecção profunda muito dolorosa e pouco frequente.
As pápulas ou pústulas chegam rapidamente à furunculose profunda.

Causas predisponentes

· Coceira contínua
· Traumas locais
· Raça ( pastores, pointer, raças dolicocéfalas )

Diagnóstico diferencial

Existem muitas patologias que provocam lesões no septo nasal. Deve-se fazer uma imprint (citologia) e observar neutrófilos e cocos para confirmar a infecção e, se não forem encontradas bactérias, fazer o diagnóstico diferencial com:

· Micose ( M.gypseum )
· Lupus discóide no Collie
· Pênfigo foliáceo canino
· Lupus sistêmico
· Carência de Zinco
· Fazer uma biópsia para detectar enfermidades autoimunes

Tratamento

Em geral, é muito eficaz.

· Lavagens com soluções antisépticas como pervinox, 2 vezes/ dia, ou água de Albur mais água ( partes iguais) 2 vezes/ dia.
· Aplicação de cremes com antibióticos e corticóides.
· Antibióticos (mínimo 4 semanas)

Foliculite profunda, furunculose do focinho

Causas predisponentes

· Puberdade
· Acne canina
· Raças (Boxer, Bulldog, Dinamarquês, Pastor Alemão, Dobermann)

Aparece no queixo e lábios de certos cães de pelo curto, vinculada ao acne canino.

Geralmente, o dono só descobre a lesão acidentalmente. Tende a desaparecer após a puberdade.

Relaciona-se com o estado hormonal sexual ( acne juvenil ) ( Acne: modificações das glândulas sebáceas que podem se contaminar )

O animal, brincando, pode se coçar e provocar este tipo de lesão.
Tambem ocorre em gatos.

Tratamento

Local, com banhos diários com xampu com POB a 2,5% e com creme ou gel com POB a 5% ou Bactroban.

Faz-se diariamente até que se resolva o problema e segue-se com aplicação 1 – 2 vezes por semana até a puberdade.

Se o problema continuar após a puberdade, é provável que o animal não se cure nunca e que seja necessário controla-lo sempre.

Em adultos, faz-se o tratamento local mais antibiótico por 4 – 6 semanas.
A manutenção se faz com um preparado de farmácia com acetato de fluoracinolona 0,01% e DMSO 60%, 1 – 2 vezes por semana.

Em casos mais severos, a lesão estende-se à lateral do tórax e ao pescoço. Em geral, não afeta a cabeça e os membros anteriores.

A origem é desconhecida, mas, acredita-se que seja genética e em alguns animais detectou-se que alguns elementos precipitam a infecção: atopia, hipotireoidismo, imunodeficiência, hipersensibilidade bacteriana, demodécica.

Nestes casos, se não se encontra a causa de base, faz-se uma terapia antibiótica prolongada.

Há duas formas de fazê-la:

Terapia de choque

Aplica-se o antibiótico até que o problema seja solucionado, por ex. 12 semanas. Após as 12 semanas, segue-se, por ex., o seguinte esquema:

Durante o primeiro mês: 1ª semana com tratamento, 2ª semana de descanso, 3ª semana com tratamento, 4ª semana com descanso.

Durante o segundo mês: 1ª semana com tratamento, 2ª e 3ª semanas de descanso, 4ª semana com tratamento.

Durante o terceiro mês: 1ª semana com tratamento, 2ª , 3ª e 4ª semanas de descanso.


Terapia com dose sub-ótima

Após as 12 semanas e estando o animal clinicamente bem, segue-se com o seguinte esquema:

Por ex. 100 mg cada 48 hs durante 2 semanas.

Depois, 50 mg cada 48 hs, e assim diminuindo a dose.

Furunculose aural por lambedura

É comum em Dobermann, Pastor Alemão, Dinamarquês.

Causas predisponentes

· Lamber contínuo de carpos/ tarsos, metacarpos/ metatarsos.
· Dermatite acral por lambida (“ stress “ , neurose )
· Traumas
· Alergias
· Hipotereoidismo
· Dor músculoesquelética

Seja qual for a causa, é uma piodermite profunda, então, antes de verificar a causa, deve-se administrar antibióticos por 3 meses e aplicar fluorcinolona + DMSO duas vezes ao dia.

Se apenas um membro for afetado, geralmente se trata de neurose.

Se mais de um membro for afetado, deve-se pensar em outra causa.

Pododermatite

Complexo mórbido multifacial e flogístico (inflamatório) que afeta os espaços vazios interdigitais de mãos e pés.

Causas predisponentes

· Corpos estranhos, substâncias irritantes.
· Alergias (contato, alimentar, atopia)
· Infecções micóticas e bacterianas
· Parasitas ( demodécica )
· Fatores psicogênicos
· Piogranulomas estéreis
· Hipotereoidismo e imunodepressão
· Enfermidades autoimunes
· Carência de Zinco
· Foliculite profunda e celulite
· Hipersensibilidade a pulgas

Apresentação

Os espaços interdigitais se apresentam vermelhos, úmidos, nódulos, úlceras, bolhas sero-hemorrágicas, grande inflamação de mãos e patas que pode alcançar metacarpo/ metatarso.
Há muita dor e lambidas constantes que provocam mais umidade, dor e infecção do implante das unhas. ( paroniquia )

Tratamento

· Tratar a causa de base
· Antes de trata-la deve-se:
· Avaliar o funcionamento das tireoides
· Hemograma completo
· Cultura e antibiograma
· Raspagem para Demodex
· imprint (citologia)
· biopsia
· A seguir, anestesia-se o animal e limpa-se bem todo o trajeto fistuloso e toda a lesão.
· Faz-se uma compressa com furazolidona e bandagem. Após 24 h, retira-se a bandagem e, diariamente, faz-se pedilúvios com Pervinox ou clorhexidina.
· Antibióticos por 6 – 8 semanas como mínimo.

Celulite do Pastor Alemão

É uma piodermite profunda, uma foliculite e furunculose que evolui para celulite.
Ocorre em animais de meia idade.
O agente etiológico é o S. Intermedius ( pode haver Pseudomonas, E. Coli, Corynebacterium)

O primeiro sintoma que aparece é similar à alergia a pulgas, é prurido na região lombosacra, quadril e abdomem. (Geralmente , o animal tem pulgas e é tratado erroneamente por alergia às mesmas)

Fonte: www.ovejeroaleman.com