Pseudociese

A maioria das cadelas criadas em grupos e fêmeas reprodutoras em canis, estão sujeitas a fazerem pseudoprenhez quando, nesses locais, convivem cadelas com ninhada e cadelas sem ninhada. Porém, esse desequilíbrio hormonal, hoje em dia muito comum devido, principalmente, a alimentação moderna com aditivos como hormônios, conservantes e outros, pode acometer uma cadelinha criada isolada, em apartamento, sem contato algum com outras cadelas. Cadelas submetidas a um acasalamento estéril podem também desenvolver essa patologia. Portanto, a pseudoprenhez ocorre em qualquer ocasião independente do fato da cadela ter sido mãe anteriormente ou não, da forma como seja tratada ou do ambiente em que vive. 

Esse fenômeno costuma mostrar os primeiros sinais de sua presença após o cio, mais especificamente entre a 8ª e a 9ª semanas depois do período fértil, e os sintomas podem se apresentar completos, com sinais físicos evidentes como a distensão abdominal e o aumento do útero ou apenas com o desenvolvimento das glândulas mamarias e a lactação. O leite produzido pelas suas tetas é praticamente o mesmo que aquele produzido depois de uma prenhez. Algumas cadelas apresentam alterações de comportamento tão incríveis que, se tiver história de cruzamento, pode ser confundido de fato com uma prenhez verdadeira. Porém, se ao final do prazo de “gestação” não houver o parto, a radiografia pode mostrar claramente a ausência de fetos e o diagnostico está feito. Nesses casos, em que há história de cruzamento, a ultra-sonografia é, atualmente, a maneira mais fácil e rápida de se fazer um diagnóstico diferencial entre gestação e pseudociese, o que favorece o tratamento pela precocidade com que podemos iniciar a medicação. 

Tanto a cadela que acasalou quanto a cadelinha que não acasalou podem apresentar os mesmos sintomas comportamentais quando têm a pseudociese: elas se tornam inquietas, nervosas, e até mesmo em alguns casos, histéricas. Começam a se esconder pelos cantos, constroem ninhos, e adquirem um comportamento maternal característico, as vezes adotando bichinhos de borracha, bonecos, sapatos e, muitas delas mostram até uma agressividade maternal típica em defesa do ninho. Essas cadelas devem ser respeitadas e tratadas como se realmente estivessem com filhotes, e se procura evitar o estimulo a sua agressividade. As cadelas podem deixar de se alimentar bem e ate jejuarem , o que pode ser bom para as mais gordinhas, mas extremamente prejudicial para as mais delgadas. 

Para alguns proprietários a pseudociese é bastante desagradável e prejudicial à rotina familiar, contudo, outros proprietários chegam a curtir essa “maluquice” da sua cadelinha apreciando o fato dela adotar os mais inusitados objetos como cria. 

Porém, a pseudociese é sempre indesejável e traz a curto e médio prazo prejuízos severos a saúde do animal. Por isso, todas as providências terapêuticas devem ser tomadas para tratar a crise e prevenir outras. 

A terapia com drogas é controversa. Muitos citam a aplicação de hormônios como sendo eficaz, outros aconselham o cruzamento da cadela no próximo cio para evitar outras ocorrências. Alguns aproveitam para usar essa cadela como ama de leite. 

Os tratamentos homeopáticos para corrigir os desequilíbrios hormonais são suaves e seguros, contribuindo para a cura desse problema sem efeitos colaterais, mas é preciso persistência e paciência. O medicamento de escolha para a maioria dos casos de pseudoprenhez é a Pulsatilla e o Lac caninum. 

Na fitoterapia temos muitas ervas capazes de exercer efeitos benéficos ao sistema reprodutor feminino e minimizar os sintomas que aparecem em decorrência de um desequilíbrio hormonal e podemos usá-las em  combinação com vitaminas e minerais para essa finalidade com muito êxito. 

Seguindo a linha diagnóstica de que esses desequilíbrios se devem, em sua grande maioria, a fatores nutricionais, devemos pensar na prevenção como o melhor caminho para nos livrarmos da possibilidade de tal patologia. 

Do ponto de vista natural, devemos prevenir a pseudociese em cadelas desde pequeninas optando pela alimentação com rações da mais alta qualidade e fornecendo-lhes os nutrientes necessários para uma bom funcionamento hormonal. Minerais e vitaminas fazem parte da síntese de hormônios, varrem radicais livres e participam ativamente do metabolismo animal, contribuindo para formar fêmeas capazes de desempenhar seu papel na reprodução sem qualquer problema. 

A cirurgia de esterilização da fêmea com a retirada dos ovários seria a solução definitiva, mas isso implica no aparecimento de algumas seqüelas por deficiência de hormônios, que podem e devem ser contornadas com  fitoterapia ou com a homeopatia, usando-se a principio, de uma forma abrangente, Aristolochia clematitis

Extraído do site www.herancaecologica.com.br/degil/artigos/artigo16.htm