A origem do Pedigree
por Isabel Alves 

A palavra Pedigree deriva de "pied de grue" (pé de grou). O grou deixa um rasto com três traços para frente e um para trás, correspondente aos dedos das patas, o que dá mais ou menos a forma das árvores genealógicas: Pedigree é, pois, a árvore genealógica.

Durante muito tempo, os criadores, e apenas estes, mantiveram registros das árvores genealógicas dos seus cães (e dos outros animais).

Cabe dizer aqui que a noção de raça ou de pureza de raça, nesta fase, ainda não tinha grande significado.

Consultando os registros de criação de algumas pessoas, foi possível conhecer misturas raciais feitas pelos criadores de diferentes raças.

No fim do séc. XIX começam as exposições de cães e foram redigidos os primeiros padrões. Nesta ocasião, em que se fazia um trabalho grande de uniformização das raças, era natural que um bom reprodutor valesse muito. E, evidentemente, começou a haver a necessidade de confirmar que aquelas vitórias eram mesmo daquele cão e não de outro com o mesmo nome (nesta altura, todos os cães se chamavam "Bob" e "Laddie", pelo menos nos cães pastores).

O registro no Kennel Club começou sendo simplesmente o registro do nome. Estando o nome registrado no Kennel Club, mais nenhum cão daquela raça podia ter aquele nome, mantendo-se este princípio até hoje.

Como rapidamente se esgotou o repertório de nomes, apareceu o afixo como forma de impedir a duplicação de nomes e, também, para mais facilmente se identificar o criador.

Assim, o Kennel Club não nasceu para registrar genealogias, mas apenas nomes, embora a partir dos registros se pudessem reconstruir os pedigrees, já que um cão era sempre registrado como "X", filho de "Y" e "Z".

É óbvio que o pedigree sempre foi um importante instrumento de trabalho para qualquer criador, pelo que eram eles próprios que faziam esses pedigrees. Aliás, ainda hoje os criadores fornecem os pedigrees dos cães que criam feitos à mão (hoje em dia no computador, claro). O Kennel Club só emite um pedigree se isto for solicitado oficialmente.

Eis um típico pedigree inglês:

Repare-se bem na declaração final - para um inglês, uma declaração destas tem valor de lei. Aliás, ainda hoje, muitos dos registros baseiam-se na confiança e na boa fé dos criadores. Isto porque um criador cria para si próprio, não fazendo qualquer sentido mentir a si mesmo.

É claro que com a evolução, ou involução, dos tempos, as coisas foram mudando, e há muitos interesses além da satisfação de criar bons cães, e por isso, inevitavelmente, as falcatruas invadiram o sistema.

Resumindo:
- o pedigree é uma árvore genealógica
- como árvore genealógica que é, mostra como se chegou àquele exemplar - e permite tirar "n" informações (se o cão é ou não puro, que qualidades e defeitos “passeiam” no patrimônio genético do cão, etc.).
- como árvore genealógica que é, todos os cães têm uma, sejam mestiços, feios, bonitos, estrábicos, aleijados, neuróticos (desde que se conheça a ascendência).

Não me causa estranheza que um cão fora de padrão tenha registro. Registro é apenas a árvore genealógica. O que está mal é aceitar automaticamente como reprodutor qualquer cão com registro. Na Inglaterra, nos EUA, na França, os cães fora do padrão são registrados - na Inglaterra e nos EUA com uma anotação que os impede de serem expostos e de serem reproduzidos. Na França, um cão só pode ser reprodutor depois de passar na “confirmação”.

Pelo exposto, um cão registrado não tem obrigatoriamente a garantia de ser um cão de raça de qualidade. Mas, em muitos casos, os cães registrados tem mais valor econômico do que o cão sem registro, porque alguns compradores e alguns vendedores só querem o pedigree para isso. Não se interessam pelos ascendentes, não se interessam se o cruzamento foi feito para apurar a raça, não se importam sequer se o cão é um bom exemplar, só lhes interessa que lá no papel esteja dito que o cão é da raça "X".

Extraído do site www.caniltileleza.com.br