Matt (pai de nossa Chase) e seus donos Marcelly e Enrico (foto: Júlio Bicudo)

"Chegará o dia em que o homem conhecerá o íntimo de um animal e, quando esse dia chegar, um crime contra um animal será um crime contra a humanidade."

Nunca ouviu-se falar de um cão tão temido e tão polêmico como o American Pit Bull Terrier. Muitos acreditam que a raça é fruto de manipulação genética, feita em laboratório no mais puro estilo Frankenstein, fruto do cruzamento de mais de dez raças, completamente programada para matar, que possui mordida de mais de duas toneladas, cérebro menor que a caixa craniana e outras pérolas que demonstram o quão criativos certos indivíduos conseguem ser.

Mas a verdade é que o pit bull não é uma raça nova. Ele já existe há mais de duzentos anos, e é um cão como qualquer outro, de carne e osso, cujas características foram cuidadosamente selecionadas desde os primórdios com o objetivo de obter um cão adequado para combate, resistente à dor e ao cansaço, com muita força e vontade. Em contrapartida, deveria ser extremamente controlável e dócil, de forma que não oferecesse risco às pessoas durante os terríveis e sangrentos combates.

Atualmente, e felizmente, as rinhas de cães estão proibidas por lei e, sendo assim, a principal característica do American Pit Bull Terrier perdeu o sentido, todavia não podemos negar a importância da seleção efetuada pelos antigos criadores, pois sem eles, não teríamos o prazer de ter hoje ao nosso lado tão maravilhosa raça.

Infelizmente, pessoas não habilitadas e sem nenhum conhecimento, visando lucro, procriam cães sem se preocupar com seleção genética, produzindo animais com características indesejáveis, e o resultado vemos com frequência sendo divulgado pela mídia sensacionalista. Lamentável que certas pessoas não se preocupem com o risco que causam à raça e à sociedade colocando no mundo cães atípicos e totalmente sem controle.

O temor generalizado vitimou muitos pit bulls, que foram alvo de violência ou abandono, muitas vezes com requintes de crueldade. Tais fatos poderiam ser facilmente evitados com um pouco mais de bom senso. Pelo jeito, a proibição das rinhas não surtiu efeito, pois a crueldade continua a acontecer em nosso mundo civilizado. Mas serve de consolo saber que ainda há pessoas que amam e continuam lutando em prol da raça.

O APBT é um cão rústico, forte, ágil e determinado. Necessita de exercícios diários, para gastar sua energia. O dito "pit bull feliz é pit bull cansado" é real e o que melhor se aplica à raça. Isso não quer dizer que o pit bull não possa viver em apartamento, desde que as regras do condomínio não mencionem restrições e que o proprietário tenha possibilidade de sair com o cão diariamente ou providencie uma esteira para exercícios. A esteira é bastante útil até mesmo para pessoas que moram em casa e têm bastante espaço, pois em dias de chuva o APBT não fica privado de exercícios.

De pelagem curta e boa saúde, o APBT dispensa idas frequentes ao veterinário, bastando o check up anual, para atualização das vacinas. É longevo, vivendo em média 12 anos. Adora água, portanto é aconselhável ter cuidado ao deixar um pit bull solto, sem supervisão, próximo à uma piscina, pois não são raros os casos de APBTs que morrem afogados. Também adora brincadeiras radicais, como cabo de guerra, escaladas, saltos, corridas etc. Como a musculatura da mandíbula é bastante desenvolvida e o formato de sua boca permite um perfeito encaixe dos dentes, ao morder, o APBT não solta sua presa. Sua mordida é muito forte, e de acordo com matéria publicada na Revista Mundo Estranho, edição 76, sua mordida exerce pressão equivalente ao peso de 4 sacos de cimento, ou seja, 200 quilos.

Para efeitos de comparação, o ser humano exerce pressão equivalente a 55 quilos, enquanto o jacaré americano atinge a impressionante marca de 965 quilos, sendo a mordida mais forte do mundo. Essas informações, publicadas na Revista Mundo Estranho, tiveram como referência o trabalho de Gregory Erickson e Kent Vliet, da Universidade Estadual da Flórida, e de Brady Barr, do Canal National Geographic. O método utilizado para calcular a intensidade da mordida é fazer com que o animal morda um aparelho que registra a potência do ataque. Então, a mordida do jacaré equivale a colocar uma dentadura afiada numa parte do seu corpo e, em seguida, posicionar sobre ela um objeto de quase 1 tonelada. Depois disso, é mais fácil crer em saci pererê, papai noel e coelhinho da páscoa do que acreditar na mal fadada história da mordida do pit bull "pesar" mais que duas toneladas.

O pit bull não é um bom cão de guarda, pois costuma ser bastante dócil e sociável até mesmo com estranhos. Há diversos relatos de pit bulls que foram furtados dos quintais de seus donos, e outros que foram roubados, à mão armada, enquanto estavam passeando nas ruas. O padrão da raça determina que o APBT não pode demonstrar agressividade com seres humanos e a má fama da raça é injustificada por esse e outros motivos, mas um pit bull no portão costuma afugentar intrusos e desencorajar invasores.

Por outro lado, se o pit bull é dócil com pessoas, não o é com outros cães. Embora existam exceções, a regra é que a raça seja intolerante e agressiva com outros cães. Embora tenhamos pit bulls que convivam e brinquem juntos na maior paz, não aconselhamos nossos clientes a adquirir e deixar APBTs juntos sem supervisão. É sempre melhor prevenir do que remediar. A regra vale também para proprietários que não tenham quintais bem cercados, com muros altos e portões fortes. A maior parte dos acidentes ocorre porque o dono descuidou ou porque o cão escapou. Lembre-se que o APBT é um cão atlético e determinado, que pode facilmente escalar um muro de 2 metros para saborear o Lulu do seu vizinho. Evite dores de cabeça: mantenha seu cão em local seguro.

O APBT, em nossa opinião, é uma raça completa, e temos certeza que muitas pessoas, se deixassem o preconceito de lado e soubessem diferenciar o verdadeiro American Pit Bull Terrier dos muitos viralatas que existem por aí, concordariam conosco.